Acredito que qualquer um é insubstituível sim, mas os sentimentos não. Importância se adquire, mas também se dá. Alguém ou alguma coisa é importante pra VOCÊ, porque VOCÊ atribuiu-lhe esse juízo de valor. Somos para os outros a maneira como nos veem e a forma que permitimos que nos vejam. É questão de foco. Suas prioridades estão ligadas aos seus objetivos.
Do mesmo modo, acredito que acontece nos relacionamentos.
Ontem eu voltei pra casa me perguntando: Por que eu construo castelos para elevar pessoas que não deveriam nem passar do portão? Por que inverto valores e me permito ser aquela que desbrava os caminhos para conseguir o que quero? Por que eu me permito, deste castelo, apenas o porão?
A gente tem o costume de idealizar os outros, de projetar perfeição e confundir necessidades e sentimentos.
Noutro dia, conversando com um amigo, percebi que, pra mim, o amor deixou de ser sentimento e passou a ser energia, algo inexplicável. O que nos move, dá frio na barriga e bagunça o mundinho da gente, é a paixão. A gente bem sabe que amar alguém traz sofrimentos, quando é necessário seguir em frente e/ou imaginar um futuro, tendo passos diferentes e separados. Amar é perder o tino quando o outro está longe, paixão é perdê-lo quando chega perto, quando o toque acontece "sem querer", quando as mãos se "esbarram", quando as palavras se cruzam, deixando a gente envergonhados.O amor é drama, faz a gente se rasgar inteiro, faz perder a cabeça. Paixão é comédia romântica. O amor pode ser incondicional, aceitar, perdoar,deixar pra trás, sofrer (sim, sofre!), mas paixão é aquela visão de mundo bom, com cheiro e película de felicidade.
Talvez amor, talvez paixão, talvez foco. Talvez falte "paixão-própria".
Talvez menos importância. Talvez pessoas no topo do castelo, eu lá embaixo...mas com posse das chaves.
Talvez...
