domingo, 2 de setembro de 2012
AMA - (en) durecer
Tanta gente entrando e saindo da minha vida. Tantos dias transbordando vazio. As esperas empoeiradas, o coração batendo só. Amadurecer tem um pouco disso, esboçar satisfação ao que te deixa em pedaços. Não gosto da ideia do ser e depois não ser, na vida de alguém. Eu quero ser sequência, quero ser frequência, ser contínua, e "pra sempre". Não quero ser (apenas) a boa lembrança de um passado próximo, quero ser presente e inesquecível também. Quero ser do hoje, não de algumas semanas atrás.
Amar é pra poucos. É correr riscos, é abdicar a vida (interna), é preparar-se pra morrer (por dentro), é vestir a melhor roupa pra sujá-la com o pior molho, que não há receitinha caseira que remova. E amadurecer, é quase um caso de amor-próprio com seu lado bipolar. É resgatar o seu "eu" autêntico, quando a "enfermidade" do desgaste diário pesar nos seus dias.
Mas, amar demais sozinho, faz endurecer. Fechar-se em pedra ou túmulo. É esgotar as fontes de energia vital e aprender a produzir meios de sustentação para atravessar a rotina de gente grande, com os joelhos (e o coração) ralados, feito criança.