Do dicionário, saudade: "sentimento
melancólico
causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afetivamente muito ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas
anteriormente."
Talvez eu tenha feito algum texto, anteriormente, falando sobre esse sentimento, mas, por mais que eu escreva, ainda é o mesmo. Saudade das risadas que não dei, dos encontros que não fui, das vezes que não chorei e de toda aquela mistura de momentos e afetos.
Fico me perguntando quando a saudade deixará de ser vazio latejando e passará a ser lembrança encorajando. Acho que, de todas as vezes que fui inteira sentimentos, eu senti saudade de ser pela metade. Quisera eu não ter ido atrás do cheiro, quisera não pertencer ao vício de ser do outro, quisera não sentir. Quisera não me doar, nem me doer (como dizia Caio Fernando Abreu).
Quero sentir saudade do que ainda é, não do que poderia ter sido e não foi. Não me alimento de coisas materiais, nem engrandeço com palavras, mas sou movida a pequenos gestos.
Gosto de pessoas de verdade, com defeitos de verdade e é justamente das manias que sentirei falta.
Não me venha com medos fantasiados ou possíveis finais felizes, apenas venha. Pois, apesar da saudade, eu não quero companhia, quero companheiro.