Eu não deveria sentir falta desse seu sorriso no canto do olho.
Não deveria sentir teu cheiro, quando caminho sozinha pelas ruas.
Eu não deveria achar meu fim de semana uma droga, porque você não está aqui.
Não deveria sentir necessidade de te contar como foi meu dia.
Não deveria sentir necessidade de te contar como foi meu dia.
Não deveria desejar você preenchendo minhas 24 horas, 30, se tivesse.
Não deveria sentir apertar o peito quando você se fizesse presente, nem sentir nó na garganta porque a gente não se falou.
Talvez eu só esteja empolgada com tudo que você fez, mas, como minha vida passou a ter mais sentido, depois de todas essas suas coisas! E como queima tudo aqui dentro, essa sua frieza.
Acho que nunca fui tão "sustentável". Nunca renovei tanto minhas energias, esperando o dia que você pudesse vir por inteiro. Nunca quis tanto resolver meus vinte e sete anos de dúvidas. Nunca quis ser tão melhor, como tenho procurado ser. Nunca olhei tanto para os meus defeitos e nunca quis tanto elevar à décima potência, todas as minhas qualidades que você admira. Nunca quis tanto ser de alguém.
E eu planejei a gente, planejei os dias, as noites, a casa e até nossos filhos no café da manhã. E eu nunca quis tanto que meus domingos fossem de frio, com você esquentando do lado. E nunca quis tanto parar as horas, pra prolongar uma conversa ao telefone. E nunca senti meu coração bater tão forte e ao mesmo tempo pacificador.
E talvez você seja só mais um, igual a todos os outros, que vai machucar e dizer apenas um "foi mal", talvez amanhã eu perceba que eu perdi muito tempo. Mas, eu queria que você soubesse, que se eu perdi, foi porque você me fez, em algum momento, encontrar.
