Eu pensava que um dia olharia para trás, e perceberia o quão tarde era para pensar em mim.
Mas esse dia chegou (finalmente), e acho que não poderia vir em melhor hora.
Não, eu não desisti das pessoas, apenas me coloquei como prioridade. Aqueles antigos sonhos de casar na praia, ter uma casa sustentável, feita por mim, e filhos lindos no café da manhã, estão todos aqui, borbulhando dentro de uma "caixa".
Eu quero ser mais eu, sozinha ou em companhia. Quero não fazer absolutamente nada ou perder o sono, em meio aos projetos. Quero cuidar da fundação, depois do piso, até a laje (arquitetônicamente falando), uma coisa de cada vez. Quero chorar de alegria, ou não, mas que não tenha uma decepção como causa. Quero Paris, quero MASP, mas antes eu quero aqui dentro, ó (mente sã). Quero todas as ruas, todas as placas e todos os sinais verdes. Quero me perder, sem precisar me encontrar.
Hoje, quando meus olhos ensaiam derramar uma lágrima, dou dois passos pra trás e digo: "Isso não é pra mim!". Não que eu seja incapaz de ir à luta, mas por conhecer os caminhos e saber que é perda de tempo e de sossego.
Talvez, amanhã, eu resolva começar a academia, ou quem sabe pilates. Mude o número do meu telefone. Talvez desmarque o psicólogo, ou, talvez, pague dobrado. Talvez resolva, nos 45' do segundo tempo, alcançar todas as metas que listei pra esse ano. Talvez tome coragem e ligue pra meia dúzia de ex (os sacanas) e mande pra aquele lugar, volte ao ballet ou realize o sonho de fazer esgrima. Talvez desapegue de tudo, entre para uma ONG e ame mais o meu cachorro. Talvez trague um cigarro, ou faça coisas que jamais pensei fazer. Talvez faça uma loucura, ou mude de religião. Talvez, amanhã, eu mude o texto. Talvez eu seja a melhor arquiteta, ou não, mas e daí? Eu poderia querer todas as coisas do mundo, poderia querer voltar a ser a mesma de quinze anos atrás, ou poderia ser a mulher bem sucedida que planejei ser aos 30, mas ser feliz já me basta!