domingo, 9 de outubro de 2011

(...)

Hoje eu não quero ser como no blog: uma personagem.
Não quero o peso de não ser eu mesma, de esconder tristezas ou publicar uma felicidade que não é minha. Às vezes me perco no que de fato me tornei, com o que eu permiti que as pessoas pensassem que sou.
Não. Eu não sou essa pessoa infeliz, chata e melancólica, como nas frases e posts do facebook. Claro que tenho amigos, claro que me apaixono e desperto paixões, claro que tenho vida social e coisas que ainda me fazem sentir bem. Mas, sinceramente, ando confusa sobre quem me tornei e sobre o que fazer com tudo que li e aprendi.
A vida parece uma grande avenida de mão dupla: ame o próximo, tenha amor-próprio. Parece impossível fazer as duas coisas, tomar as duas faixas sem burlar leis.. E em contrapartida, existem as pessoas se misturando nessa avenida, indo e vindo, colidindo-se, ou apenas passando por você e indo embora.
Uma confusão de onde termina a preocupação com o outro e onde começo a me preocupar comigo, e onde tudo isso não resulte num altruísmo, nem num egoísmo desmedido.

Agradar, agradar, agradar...a ordem é essa. Eu tenho sempre essa sensação, no final do dia.
Por diversas vezes não respondi por mim, não tive argumentos, e passei anos da minha vida tentando ser uma pessoa justa e correta, mas a sensação de fracasso não me abandona.
Sempre algo passa despercebido, e sempre você é cobrado por isso. As pessoas julgam de forma cruel, atiram pedras e fazem você chegar no pior que você consegue ser, se quiser conhecer o melhor do que você nem imagina que pode ser.
Tentei usar como armadura, tudo que extraí de sofrimentos antigos, e olha no que me tornei: uma pessoa agressiva e com a mesma infantilidade de tempos atrás.
Me perdi no significado de perdoar, respeitar e amar o próximo acima de tudo, com o significado de não ter noção de certo e errado, não ter amor-próprio e ser imatura...me sentindo uma MENINA DE 26 ANOS, ocupando o corpo errado.
Eu acredito na mudança, no perdão, no amor incondicional, ou será que tudo isso é desespero?
Medo de ser julgada, de ser rejeitada, de ficar só, de sofrer, de não aguentar sofrer...eu não sei.

Histórias antigas têm voltado para o meu dia-a-dia e eu tenho percebido a imagem que deixei em cada uma delas. Percebo que corri desesperadamente à procura de maturidade e independência e deixei algumas coisas caírem no caminho.
Eu não quero ser vítima das circunstâncias, eu acho que cada um é vítima de si próprio, mas talvez eu precise de um tempo.
Essa coisa agressiva de falar mal e essa pressão de sempre escrever algo melhor que antes, essa briga diária comigo mesma, ter que ser melhor do que fui ontem, ter que me superar a cada texto, tem me desgastado muito.
Me decepcionar com as pessoas, faz parte, mas não sei se preciso vir aqui sempre.
Desabafar no blog ajuda um pouco, mas também só serve de alimento para aquelas pessoas negativas que sobrevivem com isso, que vivem do sofrimento alheio.
É muito fácil incentivar que eu escreva algo, por ser divertido me ver "humilhando" alguém e/ou dando lição de moral, ou por se identificar com meu sofrimento, mas é muito mais covarde sair me julgando depois, baseado no que leu aqui.

Eu não sou tão bem resolvida quanto algumas pessoas pensam, nem tão inteligente.
Eu erro e erro feio. Perdoo a pessoa errada, choro feito criança, tomo decisões erradas, amo demais, sofro demais, não sei esconder, não consigo ser superficial no que sinto, não sei desprezar.
Meus problemas não são os maiores do mundo, nem os mais importantes.
Aprender a ser só, deixa espaço vazio para os que virão. É selecionar quem entra na nossa vida. E quando você finalmente aprende, já não permite espaços ocupados em vão.
De tudo que fiz e corri atrás, não sei se aprendi da maneira correta o verdadeiro significado, mas, com certeza, você deve saber: por favor, ME RESPEITE.