sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Minha melhor companhia não sou eu.

Carência ou não, eu sinto falta de pessoas de verdade. Eu necessito de presença, de saudade, respiração, de pele, sentir o coração bater forte, não dessa coisa longínqua e padronizada de tela de computador, sem mostrar um pouco de si, voz sem olho no olho. Gosto daquelas pessoas que vem e ficam, não as que passam pela minha vida, que apenas espiam de fora, dão algum sentido, levam felicidade e deixam vazio.

Durante um período, tentei achar respostas e provar que somos nossa melhor companhia, que se pode ser feliz sozinho, e que algumas pessoas aparecem apenas para sugá-la, pra derrubar cada tijolo que a gente ergueu. Mas, como um abraço demorado faz falta, o entrelaçar dos dedos, das vidas e dos desejos, a certeza de ter um lugarzinho reservado no coração e no pensamento de alguém, os dias parecem sempre feriados, um sorriso sem graça, um choro de felicidade, a sensação de ser responsável pela felicidade do outro e perceber que foi bem sucedido. Como a gente se arrisca! Como a gente coloca o coração nas mãos do outro e temos a certeza de que as tristezas cabem no colo de quem a gente gosta.

Eu não quero só elogios, encontros "vezenquando", não quero ser um número gravado no celular, nem palavras enchendo a caixa de e-mail, não me alimento de mentiras sinceras, não preciso do corpo, se o coração não estiver comigo. Eu quero alguém pra chamar de "meu", mas que não seja "meu" ex. Não quero viver de lembranças e de possibilidades, quero a intensidade do hoje.
Companhia, tem aos montes, o que falta mesmo é companheiro e a verdade é que, em meio a tanta gente, cada um sabe a saudade que nunca deixam e a falta que o outro faz.